A MACONHA PURGANTE

 O ano era 1988. Década dos vinis, das Revoluções Por Minuto (RPM), dos sons 3 em 1, dos bailinhos de garagem, do Atary, fliperamas... Enfim, para quem viveu a década de 1980, tem muita nostalgia daquela época. As crises econômicas afetavam o bolso e diretamente o cotidiano das pessoas, principalmente da classe operária. Apesar de todos os problemas de ordem econômica e política, podemos considerar que na década de 1980 a interação humana amenizava as preocupações do dia-a-dia. As pessoas se socializavam mais diretamente e aprendiam a ser felizes com o pouco que possuíam. 

Sobre drogas ilícitas, podemos considerar que não eram tão difundidas como hoje. Numa cidade pequena, como a que eu moro, uma criança poderia chegar à fase adulta sem nunca ter visto um baseado. Hoje, maconha você compra com tanta facilidade assim como se compra pão numa padaria. Por não ser tão difundida como hoje, na década de 1980 era bem mais cara, levando em consideração a falta de fornecedores, a inflação, a bolsa de valores e até o que acontecia na China. Rsrsrsr. Outro detalhe desse contexto era o que dizia respeito à pureza do baseado: dizem que era bem mais forte do que o que tem no mercado hoje em dia. E um dos efeitos colaterais aparecem de imediato após o uso, com respostas fisiológicas que podem causar alguns danos, como por exemplo, esquecimento e falta de controle do aparelho digestivo. No caso que irei contar, esses dois danos resultaram literalmente em m....a. 

Antes de iniciar, devo alertar que os nomes citados são fictícios e até a história pode ser... ou não, fictícia. Só o baseado é baseado em fatos reais. 

Eram 3 amigos, Paulo, João e Julio. Sábado à noite. Uma festa de aniversário. Paulo tirou da carteira um baseado envelhecido de 3 semanas. A carteira do jovem da década de 1980 era estufada com papéis amassados, para dar uma leve escamoteada na falta de grana. Então, Paulo mandou fogo e deu duas tragadas. Bateu a brisa repentina e intensa. Não quis mais e passou para Julio, que fez o mesmo. Chegou a vez de João, que se metamorfoseou numa chaminé, tipo a que tem na Maria Fumaça. João travou como o personagem do filme Um Morto Muito Louco. Mas João foi guerreiro e conseguiu pronunciar três palavras: "Eu quero cagá". Desculpem-me por não usar uma metonímia para embelezar o verbo! João foi levado ao WC pelos dois amigos. Lá dentro, João iniciou seu trabalho de parto. Os grunhidos eram intensos. A cara de João ficou vermelha, podendo facilmente ser confundida com uma cara comunista. Suor pingava. Os dois amigos, como dois pais, esperando o filho nascer. 

João finalmente terminou o trabalho de parto. Saiu do WC. Esqueceu da descarga. Paulo entrou e percebeu que não havia nenhuma criança no berçário. A água estava tão cristalina quanto as águas do Havaí. Os três amigos voltaram para a aglomeração da festa. Nada de mais até então. O problema foi quando João se sentou: a criança foi amassada, pois João havia sido vítima do esquecimento alguns minutos antes. No WC, João abaixou as calças e se esqueceu de abaixar a cueca. Ah, leitor! Para sua sorte, ainda não inventaram tecnologias textuais que estimulam seus sensores olfativos. Na festa, João passou a ser amigo das moscas e um repelente humano ambulante. 

No 3 em 1, um disco do The Doors. A faixa era The End. E literalmente a música fez jus ao momento: foi o fim da festa. 




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