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Mostrando postagens de outubro, 2020

UMA NOITE APIMENTADA COM LUCRÉCIA

Por: Danilo Santos Chego do trabalho. A casa está escura. Pela penumbra do crepúsculo, vejo Lucrécia. Não está despida, mas as curvas das suas coxas aguçam meu apetite. Abro uma gaveta e retiro dela um maço de velas. Acendo sobre a mesa. Lucrécia se faz de difícil e corre. Eu corro atrás. Suas suculentas coxas lhe proporcionam habilidades de movimentos extraordinários. Meu apetite só aumenta.  Agarro Lucrécia pelo pescoço. Ela continua se fazendo de difícil. Minhas fortes mãos a faz ceder, até não mais ter forças para resistir. Começo a despí-la. Pele branca. Suculentos peitos. Suculentas coxas. Após despí-la todinha, jogo-a sobre a mesa. Está calor. Retiro a minha camisa. Alguém bate à porta. Faço silêncio. Não quero ser interrompido. O penetra vai embora. Minha fome em Lucrécia aumenta. Toda despida sobre a mesa. Inicio as preliminares, passando-lhe óleos que tornam sua pele mais apetitosa, macia. A carne ainda está quente. Abro as coxas de Lucrécia. Introduzo o necessário para u...

HELENA, A MÉDICA VETERINÁRIA

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 Por: Danilo Santos No ano de 525 a.C, os persas venceram os egípcios na famosa Batalha de Pelúsio. Os vencedores se valeram de uma estratégia nada convencional: foram para o front com um exército de gatos. O gato era um animal sagrado para os antigos egípcios. Sabendo de tal idolatria, os persas calcularam que os inimigos não ousariam atacar os bichanos. Calcularam certo. A infantaria persa pôde agir no modo very easy.  Há pessoas que não são persas, mas têm seu exército de gatos. Helena é uma delas. Desde criança Helena tem uma forte ligação com os animais. Na escola, os pet's de Helena eram o centro das atenções. Em certos momentos, eram motivos de confusão, principalmente quando era algum animal peçonhento. Podemos dizer que Helena conhecia mais a essência dos animais que a dos humanos. Se bem que podemos admitir que pessoas que respeitam os pet's, têm mais Humanidade e empatia para com os outros Homo Sapiens.  Pessoas como Helena são dotadas de um radar natural, acre...

ELEIÇÃO EM BANGUELÂNDIA

  Se tem um momento em que o pobre se sente digno da calçada da fama, esse momento acontece em época de eleição em cidade pequena. Há uma inversão da ordem hierárquica das coisas. Os candidatos ao pleito desenvolvem uma postura dinâmica em relação às suas atividades cotidianas. Aí surge o candidato uber, aquele que dá carona para todo mundo. Tem também o candidato assistente social, aquele que dá cesta básica. O candidato pedreiro, que dedica um tempinho para sentar uns tijolos e sair na foto com capacete. O candidato ator de novela mexicana, que chora ao falar da própria vida sofrida. O candidato garçom, que serve bebidas ao povo. O candidato saúde, aquele que paga consultas médicas. O candidato beato, que frequenta todas as igrejas. O candidato Rubinho Barrichello, aquele que posterga as obras até o último ano do mandato. Afinal, torrar promessas nos primeiros anos de mandato é análogo a uma ejaculação precoce no que diz respeito ao marketing político: o povo tem memória curta....

Ó O HÊIT!

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Por: Danilo Santos   Nelson, homem trabalhador e humilde. Casado com Lúcia, exemplar dona de casa. Desde criança, Nelson dedica a vida ao trabalho. Cidade pequena, onde as oportunidades de trabalhos formais são escassas, Nelson trabalhou a maior parte da vida na lavoura da roça. Conheceu Lúcia numa missa de domingo. Lúcia vivia da casa para a igreja. Sair à rua, só se acompanhada pelos pais. E tinha hora certa para voltar. Com o tempo, Nelson fez uma economia e comprou uma casinha na cidade. Casou-se com Lúcia e mudou de atividade econômica. Comprava leite na roça e revendia na cidade.  Após a entrega do leite aos fregueses, Nelson passava a tarde trabalhando com consertos de carros numa pequena oficina da própria casa. Poucos tinham carro na cidade e assim dava para Nelson conciliar as duas atividades, atendendo ambas categorias de clientes. Aprendeu Mecânica de automóveis, como se diz no interior, aprendeu "na raça", pois Nelson não tinha Educação formal. Homem de pouca lei...

ZULEICA RABO DE CAVALO

 Por: Danilo Santos Cidadezinha do interior do sul de Minas Gerais. Década de 1950. Calma e pacífica, exceto em épocas de eleição. Aí o tiro comia solto sob o mando dos coronéis. A moralidade estava na boca de todo mundo, vida tradicional, da honra, da filha que se casa virgem, que vive na igreja... Porém, como se sabe pelos livros de História e memorialistas, em toda cidadezinha do interior onde se pregava a moralidade, havia a igreja do Diabo, na qual Messalinas eram o mal necessário para os homens de bem. Afinal, o amor à esposa ou à pretendente a esposa. E as fantasias de Dionísio, paixão da carne, no lupanar. É no lupanar que o garoto aprende a arte e os segredos de Dionísio. Muitas vezes, apresentado às Messalinas pelo próprio pai, exemplo de honra e virilidade. Mas há casos em exceção, como por exemplo, dos garotos da zona rural. José Lins do Rêgo, no livro Menino de Engenho, já denunciou uma situação bem peculiar da zona rural brasileira: os meninos iniciam a arte de D...

A BANGUELA

  O ano é 1989. Quatro amigos da cidade resolveram partir para um baile na roça. Rodolfo tinha um Fiat Uno vermelho. Acompanhado pelos amigos Paulo, Julio e João (nomes fictícios), ligou a ignição e partiu para a aventura. Sábado à noite, estrada de terra e uma Natureza exuberante. Ah, como é fascinante o bucólico espírito da roça! Os quatro amigos, antes de chegarem ao baile, fizeram alguns itinerários etílicos pelas famosas vendas de beira de estrada. O etílico tem o poder de aguçar o que há de mais poético nos poetas de longa data e também nos poetas da 2ª, 3ª, 4ª divisão. É sob o poder do etílico que grandes declarações de amor são feitas, que grandes amizades são refeitas. O etílico tem o poder de transformar um simples homem num Pavarotti em noites de inspiração musical. Ah, o etílico! O mel dos poetas! Os quatro amigos chegaram ao tão esperado baile. O ambiente era um salão feito de tábuas, coberto com telhas brasilit. Havia pouca luz, resultando num ambiente de intensa penu...

A MACONHA PURGANTE

  O ano era 1988. Década dos vinis, das Revoluções Por Minuto (RPM), dos sons 3 em 1, dos bailinhos de garagem, do Atary, fliperamas... Enfim, para quem viveu a década de 1980, tem muita nostalgia daquela época. As crises econômicas afetavam o bolso e diretamente o cotidiano das pessoas, principalmente da classe operária. Apesar de todos os problemas de ordem econômica e política, podemos considerar que na década de 1980 a interação humana amenizava as preocupações do dia-a-dia. As pessoas se socializavam mais diretamente e aprendiam a ser felizes com o pouco que possuíam.  Sobre drogas ilícitas, podemos considerar que não eram tão difundidas como hoje. Numa cidade pequena, como a que eu moro, uma criança poderia chegar à fase adulta sem nunca ter visto um baseado. Hoje, maconha você compra com tanta facilidade assim como se compra pão numa padaria. Por não ser tão difundida como hoje, na década de 1980 era bem mais cara, levando em consideração a falta de fornecedores, a infl...

A LOCADORA DE VÍDEO

  Em tempos de Netflix, a geração de hoje nunca irá saborear  a experiência de alugar um filme numa locadora de vídeo de fita k7. O filme era o menos importante, pois no processo da escolha, o bom era a sociabilidade que se desenvolvia. Para a minha geração que foi criança e adolescente na década de 90, a sociabilidade começava com o proprietário da locadora, uma vez que para se alugar filmes mais picantes, e éramos menores de idade, tínhamos que ter lábia para convencer o dono do estabelecimento. Geralmente a locação das fitas acontecia nas sextas. Alugando 3 fitas, você poderia entregá-las na segunda.  O legal era quando íamos em grupo com amigos para a locadora. O ruim era quando éramos acompanhados por alguém da família e que fosse fã dos filmes do Mazaropi. As fitas dos filmes do Mazaropi eram velhas e acabavam sujando o cabeçote do vídeo k7. Hoje, por conta da minha formação em História, e adoro História do Brasil, hoje curto filmes nacionais. Mas na década de 90 eu...

O PROFESSOR ANALFABETO

  Há muitas maneiras de se ensinar alguma coisa a uma criança. Seja por meio de exemplos práticos, seja por meio de textos, seja por meio da disciplina doméstica. Na África, em algumas tribos, as crianças aprendem tudo sobre a vida ouvindo os contadores de histórias conhecidos como griots. Os griots passam anos decorando narrativas fantásticas, até não deixarem passar um verso sequer do que lhes foi contado pelos mais velhos. Nada é escrito. Tudo é contado pela tradição oral.  Na França, um dos países onde se mais lê no mundo, a criança também é iniciada pela tradição oral. Os pais lêem para seus pequeninos e eles desenvolvem a imaginação. Aguçada a imaginação, aprender o código das letras passa a ser um processo menos trabalhoso. Imaginação e dúvida sempre serão o melhor combustível para o desenvolvimento de uma mente reflexiva, ou como cantava Raul Seixas, uma metamorfose ambulante.  Quando criança, eu sempre admirava a figura do meu avô materno. Na igreja ele lia a Bíb...