HELENA, A MÉDICA VETERINÁRIA
Por: Danilo Santos
No ano de 525 a.C, os persas venceram os egípcios na famosa Batalha de Pelúsio. Os vencedores se valeram de uma estratégia nada convencional: foram para o front com um exército de gatos. O gato era um animal sagrado para os antigos egípcios. Sabendo de tal idolatria, os persas calcularam que os inimigos não ousariam atacar os bichanos. Calcularam certo. A infantaria persa pôde agir no modo very easy.
Há pessoas que não são persas, mas têm seu exército de gatos. Helena é uma delas. Desde criança Helena tem uma forte ligação com os animais. Na escola, os pet's de Helena eram o centro das atenções. Em certos momentos, eram motivos de confusão, principalmente quando era algum animal peçonhento. Podemos dizer que Helena conhecia mais a essência dos animais que a dos humanos. Se bem que podemos admitir que pessoas que respeitam os pet's, têm mais Humanidade e empatia para com os outros Homo Sapiens.
Pessoas como Helena são dotadas de um radar natural, acredito eu, desenvolvido pela Seleção Natural, cuja função é captar miados e latidos, para muitos Homo Sapiens, imperceptíveis. Helena anda pela rua com os amigos, e derrepente, exclama:
__Um gatinho abandonado! Coitadinho!
__Você está louca! Não há nenhum gato por aqui.
__Vocês não ouviram o miau? Estão surdos.
E assim o exército de Helena ganhava mais um soldado.
O namoro na adolescência foi um grande problema para Helena, principalmente quando o Dom Juan era asmático ou sofresse de alguma reação alérgica por pêlos. O Dom Juan sempre era enxotado pelo exército de Helena. A casa de Helena era um verdadeiro bunker de Cambises II (Referência ao rei persa). Outro problema para as paqueras de Helena era quando os bichanos resolviam disputar sua atenção com o príncipe do cavalo branco. Os gatos têm uma maneira bem peculiar em agradar seu Homo Sapiens de estimação: presenteiam-no com ratos. O Homo Sapiens perdeu ao longo do tempo sua capacidade instintiva de ir à caça, por isso, o gato passou a ser o provedor natural do território. Senão o Homo Sapiens de estimação morre de fome.
Como todo adolescente, Helena também passou por momentos de conflitos de personalidade. Deitada na cama, triste, com lágrimas nos olhos, Helena era prontamente atendida por um batalhão de massagistas, lambedores e ronronadores. Nos momentos felizes e de alta autoestima, o cartão de memória do celular de Helena é ocupado por fotos de todos os ângulos com os soldados de Cambises. Nos porta retratos, em cima dos móveis, recordações de soldados que se foram e deixaram saudades. Algumas fotos, rasgadas ao meio, pois havia nelas algum ex-namorado em close com os bichanos. Quem fere o coração de um gateiro, não é digno de permanecer nos clicks da vida felina.
O tempo passou e Helena se formou em Medicina Veterinária. Madrugada, o telefone toca. Do outro lado da linha, um Homo Sapiens domesticado pedindo socorro para seu pet acidentado. Anestesias, facas e tesouras à mão, Helena corre contra o tempo. Às vezes o tempo é Michael Schumacher e Helena perde a batalha. Lágrimas escorrem dos seus olhos. Mas também há regozijos pelas batalhas vencidas contra a morte. Há momentos em que a morte é induzida e apressada pelas agulhas do sacrifício, pois a dor da existência é cruel. Esse é o momento mais duro para um médico veterinário.
Chegou o dia em que Helena encontrou o verdadeiro príncipe do cavalo branco. Casamento na certa, com data marcada e tudo. Lindo vestido branco. Tapete vermelho, lindas flores nas colunas laterais. Violinistas e cantores da melhor qualidade. A música tocava o coração da apaixonada Helena na igreja. O padre:
__Se há alguém aqui que impeça este casamento, fale agora ou cale-se para sempre!
A noite de núpcias seria em Paris. O avião decolaria uma hora após o término do casamento. Viagem de presente de um padrinho. Uma estrondosa voz grita ao fundo, após a intrusa entrada pela porta:
__Pare agora! Tom acabou de ser acidentado!
__Senhor! Você está causando incômodo ao casamento! Qual o seu nome?
__Meu nome é Cambises.
Ah! Ironias do destino!

Comentários
Postar um comentário